segunda-feira, 6 de agosto de 2018

[Resenha] A mulher na janela

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Autor: A. J. Finn
Páginas: 352
Editora: Arqueiro
Anna Fox mora sozinha na bela casa que um dia abrigou sua família feliz. Separada do marido e da filha e sofrendo de uma fobia que a mantém reclusa, ela passa os dias bebendo (muito) vinho, assistindo a filmes antigos, conversando com estranhos na internet e... espionando os vizinhos. Quando os Russells – pai, mãe e o filho adolescente – se mudam para a casa do outro lado do parque, Anna fica obcecada por aquela família perfeita. Até que certa noite, bisbilhotando através de sua câmera, ela vê na casa deles algo que a deixa aterrorizada e faz seu mundo – e seus segredos chocantes – começar a ruir. Mas será que o que testemunhou aconteceu mesmo? O que é realidade? O que é imaginação? Existe realmente alguém em perigo? E quem está no controle? Neste thriller diabolicamente viciante, ninguém – e nada – é o que parece.


A mulher na janela é um thriller psicológico intenso e cheio de reviravoltas. Desde que eu soube sobre o lançamento deste livro eu quis conferir a história. E conforme eu fui lendo as resenhas, a minha empolgação só aumentava. Como podem perceber, demorei um pouco para fazer a leitura da obra, mas finalmente li, e me arrependo de não ter feito isso antes. Thrillers em geral estão sempre no topo dos gêneros que eu gosto de ler, mas fazia um bom tempo que eu não pegava uma leitura tão boa quanto essa foi. O autor inicia a narrativa de forma lenta, e os mais críticos podem até acabar querendo desistir da leitura, mas conforme as coisas se desenrolam, e você não sabe mais o que é real ou imaginação, é difícil querer largar o livro.

Anna é um psicóloga infantil, especializada em transtornos, que viu sua vida mudar após um grande trauma. Após desenvolver agorafobia (medo de lugares públicos e espaços abertos), atualmente ela vive sozinha na casa em que ela e o marido viviam juntos. Sua filha e o marido não moram mais com ela, que passou a se isolar dentro de casa, seu único lugar seguro. Ela passa o dia todo vendo filmes antigos e bebendo vinho. Na internet ela entra em um grupo para ajudar outras pessoas, joga xadrez e tem aulas de francês. Na vida real, além dos filmes, ela gosta de espiar a vida dos vizinhos.

Após quase um ano sem sair de casa, suas únicas visitas foram do terapeuta e da fisioterapeuta. É então uma surpresa quando o filho dos novos vizinhos surge em sua porta. Ethan é um garoto adorável, que desperta a curiosidade de Anna para saber mais sobre sua família. E, quando ela conhece Jane, mãe de Ethan, e as duas passam bons momentos juntas, a fascinação é ainda maior.


Certo dia Anna vê sua vizinha ser esfaqueada e gritar por socorro. Após misturar vinho e remédios, seus reflexos estão lentos e sua fala arrastada, mas ela consegue ligar para a emergência e pedir ajuda. Em um ato de coragem, ela vai em direção a casa para ajudar Jane, porém, por conta da agorafobia, acaba desmaiando no meio do caminho. Anna acorda em um hospital, e é interrogada por um policial sobre o que aconteceu na noite anterior. Sua maior preocupação é saber se conseguiram ajudar Jane, porém, sua sanidade é posta à prova quando ela descobre que não ocorreu nenhum assassinato, e que ninguém conhece essa mulher que ela diz ser mãe de Ethan.

Quando percebemos que ninguém faz ideia de quem seja Jane, e que provavelmente Anna estava apenas alucinando, eu já fui fisgada completamente pela história. É um pouco óbvio que tem algo de sinistro no meio, mas ao mesmo tempo sabemos que a personagem não é nem um pouco confiável. E toda a narrativa tem o ponto de vista dela, o que torna ainda mais difícil saber o que é real ou não.

O desenvolvimento tem tantas reviravoltas que a trama acaba se tornando muito intrincada, e difícil de sacar qual é a jogada do autor. A leitura começa a fluir a partir do momento em que Anna vê a vizinha ser esfaqueada, então é preciso ter um pouco de calma para que tudo comece a realmente se desenvolver. Esse foi um livro que me surpreendeu muito. Saber sobre o grande trauma de Anna foi algo que também me chocou, e eu não estava esperando nada do tipo.

A mulher na janela tem uma personagem pouco confiável, vizinhos suspeitos e um assassinato supostamente imaginário. Anna nem sempre toma decisões certas, e eu não a culpo. Afinal, o que aconteceu com ela, a distância do marido e filha, e sua solidão fizeram com que ela fosse relapsa em alguns momentos. O final é arrebatador, e em nenhum momento pensei em nenhuma possibilidade parecida. 

Eu gostei muito dessa leitura, e certamente será um dos melhores livros que eu li nesse ano. Recomendo muito!

4 comentários:

  1. Esse livro tem um final magnífico e se no filme seguirem o roteiro direitinho igual o enredo do livro, será um super filme. Essa história é muito intensa e te prende a todo momento.

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  2. Eu li esse livro e simplesmente amei e realmente é difícil sacar a jogada do autor, mas ele conseguiu me surpreender com o desfecho escolhido e assim como você, eu fiquei chocada com o trauma de Anna, nunca imaginei. Enfim, adorei mesmo e leria mais coisas do autor. Ansiosa pelo filme.

    Abraços.
    https://cabinedeleitura0.blogspot.com/

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  3. Heiii, tudo bem?
    Tanta gente elogiando o livro que eu tive que passar ele na frente de todos!
    Mas acho que fui com mtaaa sede ao pote, pq o final nem me surpreendeu tanto assim, achei bem inteligente, mas nao foi algo que eu nao esperasse.
    A capa está linda, achei bacana manter o original e quero mais livros do autor, gostei da escrita.
    Beijos.

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  4. Oie!
    Eu preciso fazer a leitura desse livro, estou bem curiosa para ler.
    Na Bienal, eu tive a oportunidade de conhecer o autor, e ele é muito simpático. Ficou encantado com a recepção que teve no evento.
    Bjks!
    Histórias sem Fim

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