sexta-feira, 30 de março de 2018

[Resenha] Divã

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Autora: Martha Medeiros
Páginas: 154
Editora: Objetiva
Divã conta a história de Mercedes - uma mulher com mais de 40, casada, filhos - que resolve fazer análise. O que começa como uma simples brincadeira acaba por se transformar num ato de libertação; poético, divertido, devastador.









Essa não é minha primeira experiência com Martha Medeiros, mas é a primeira de um livro que se trata de algo mais próximo de um romance, mas não é exatamente um romance. Só havia lido as crônicas de jornal, um livro de crônicas e outro de cartas dessa autora.

O livro em questão vai contar a estória de Mercedes, que tem mais de quarenta anos, um casamento considerado de sucesso e três filhos. A única voz do enredo é a da protagonista que em forma de monólogo vai narrar seu cotidiano, seus anseios e temores e sempre no mesmo ambiente, o divã do seu analisa. Essa descrição pode soar monótona, mas se você for mulher e chegou no mínimo aos trinta anos, é bem provável que se identifique com esses mesmos anseios e temores assim como eu me identifiquei.

Sou tantas que mal consigo me distinguir. Sou estrategista, batalhadora, porem traída pela comoção. Num piscar de olhos fico terna, delicada. Acho que sou promíscua, doutor Lopes. São muitas mulheres numa só, e alguns homens também. Prepare-se para uma terapia de grupo.

Ao longo do enredo Mercedes vai se despindo de todas as camadas que forma uma mulher para entender a si mesma, para se perdoar pelos erros do passado e tentar compreender o vazio que a preenche, apesar de ter sido exatamente aquela mulher que o ambiente social que a cerca esperava dela como mãe, esposa e profissional. Nesse divã ela relembra situações que mesmo alheias a sua vontade, ou não – como a morte prematura da mãe ou a viagem a Europa no final da faculdade – são responsáveis por transformá-la na mulher que ela se tornou. E concordando ou não com a personagem, é possível ver sem esforço a transformação e o autoconhecimento que Mercedes adquiri através das sessões.

Uma utopia: estou vivenciando a Mercedes que não escolhi ser. Somos todos prisioneiros das nossas escolhas, por mais voluntárias que elas tenham sido. Escolhi ser casada com Gustavo, ser professora, ser pintora, ser mãe de três filhos, ser sua paciente. Não escolhi ser solteira nem ser alegremente irresponsável, então é como se eu estivesse fazendo turismo por estas não escolhas.

Mais uma vez a autora revirou com meus sentimentos e ideias. O livro ainda vai ficar um tempo na minha cabeça e com certeza terá releitura, mas só depois que tudo estiver assentado na minha mente. Como fechamento da resenha, fica a sugestão de uma autora nacional excelente e de um livro nota dez.

PS. Sei que há um filme baseado nesse livro, mas não posso opinar, pois não tive psicológico para assistir nesse momento.

5 comentários:

  1. Ana!
    A Martha Medeiros é uma mestra na arte de escrever e revirar nossos sentimentos, arrasando nossos corações com seus conhecimentos, ensinamentos e filosofia.
    Confesso que não conhecia esse livro dela e fiquei encantada.
    Adoro livros com abordagem mais psicológica.
    “Não cruze os braços diante de uma dificuldade, pois o maior homem do mundo morreu de braços abertos!” (Desconhecido)
    BOA PÁSCOA!
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA MARÇO: 3 livros + vários kits, 5 ganhadores, participem!
    BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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  2. Já tive oportunidade de ter contato com a escrita da autora e gostei muito. Não conhecia esse livro, mas me interessei, ainda mais sabendo que é algo que pessoas que passaram dos 30 irá se identificar.
    Espero ter oportunidade de ler em algum momento.

    Beijos.

    www.alempaginas.com

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  3. Olá!
    Esse livro é bem interessante. Realmente trás uma história muito comovente e que com certeza fará mulheres dessa idade se identificar, ainda não estou nessa idade mas com certeza em algumas parte irei me identificar.

    Meu blog:
    Tempos Literários

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  4. Oie... Conheço a escrita da Martha, mas ainda não tive a oportunidade de ler nenhum livro dela, esse parece ser bem interessante, principalmente p o público feminimo. To próxima aos 30... Acho q terão coisas que vou me identificar sim.

    Bjs.
    Amanda Nery
    www.leituraentreamigas.com.br

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  5. Oi, tudo bem?
    Só li algumas cronicas dela também e fiquei curiosa sobre o livro. Sou psicologa, então a curiosidade está me matando! Adorei sua resenha e amei a dica!
    http://colecionandoromances.blogspot.com.br/

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