terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

[Resenha] Suicidas

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Autor: Raphael Montes
Páginas: 432
Editora: Companhia das Letras
Antes que o mundo pudesse sonhar com o terrível jogo da baleia azul, que leva jovens a tirara própria vida, ou que a série de televisão 13 Reasons Why fosse lançada e set ornasse o sucesso que é hoje, Raphael Montes, então com 22 anos,já tratava do tema do suicídio entre jovens, com a ousadia que virou sua marca registrada. Em seu primeiro livro, que a Companhia das Letras agora relança acrescido de um novo capítulo, conhecemos a história de Alê e seus colegas, jovens da elite carioca encontra dos mortos no porão do sítio de um deles em condições misteriosas que indicam que os nove amigos participaram de um perigoso e fatídico jogo de roleta russa. Aos que ficaram, resta tentar descobrir o que teria levado aqueles adolescentes, aparentemente felizes e privilegiados, a tirar a própria vida. Para isso, contamos com os escritos deixados por Alê, um narrador nada confiável.



Suicidas foi relançado pela Companhia das Letras em 2017, e é o primeiro trabalho do Raphael Montes. Esse foi o segundo livro que eu li do autor, e mais uma vez fui surpreendida com uma história um pouco macabra, com um tema delicado, e cenas nojentas. E eu não falo isso de forma negativa. Essa é a marca registrada do autor, contar sua história sem muito mimimi, explorando tudo de ruim que há no ser humano. Eu já sabia que me aguardava uma leitura marcante, e fiquei ainda mais empolgada para ler a obra quando soube que esse foi seu primeiro livro.

Nove jovens são encontrados mortos no porão de um sítio, e os restos mortais estão praticamente irreconhecíveis. Todos sabem que foi um suicídio grupal, mas a polícia ainda quer entender o porque de encontrar os corpos daquele jeito, e também os motivos que levaram os jovens a se matar em um jogo de roleta-russa. 

Um ano após esse caso, as mães dos jovens são chamadas para uma última entrevista, para tentar entender o que pode ter ocorrido. E é revelado que um livro foi achado no porão, e ele conta detalhadamente cada momento da roleta-russa. Com essa informação, a delegada Diana faz a leitura e conversa com elas, explorando cada detalhe, e tentando perceber se alguma delas sabe de algo. O livro foi escrito por Alê, melhor amigo de Zack. 

O sonho de Alê era escrever um livro de sucesso, e ele percebe que morrer é a única forma de realizá-lo. Ele é um personagem difícil de se apegar. Sua visão sobre cada pessoa é bem crítica, e eu o achei bem egocêntrico. Além do livro, ele possui um diário, que conta bastante sobre seu dia a dia, e as pessoas que encontra. A maioria delas estava no dia do suicídio.

A narrativa é dividida em três partes: o diário de Alex, o livro que conta o que aconteceu no dia do suicídio e a entrevista com as mães dos jovens um ano após o ocorrido. A pior parte, digamos assim, é quando a delegada lê o livro. As cenas são bizarras, sangrentas e um pouco nojentas. O autor mostra o ser humano em seu pior aspecto e loucura. Eu não me importo com esse tipo de leitura, mas talvez quem tenha estômago mais fraco não vá curtir tanto.

O que eu mais gosto do autor é que ele não nos poupa nada. Eu achei muito importante toda essa descrição dos detalhes, por mais nojento que fosse, para entender melhor cada personagem e realmente entrar no clima da trama. Suicidas é uma leitura marcante, e que te faz pensar por horas após finalizar.

O final é surpreendente, de certa forma, mas eu consegui prever antecipadamente. Porém, nem por isso a leitura não foi boa, na real, o que mais marca é o desenvolvimento, por mais que você tenha uma desconfiança do que aconteceu naquele dia. Os personagens são todos bem explorados no enredo, alguns mais que outros, mas mesmo sendo nove jovens, conseguimos analisar cada um individualmente. Recomendo!

5 comentários:

  1. Olá!
    Eu já li resenha dos livros desse autor e tem uma história muito envolvente. Esse há um mistério e suspense e me deixa bastante curiosa na leitura, ainda mas que gosto de gênero assim.

    Meu blog:
    Tempos Literários

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  2. Andressa!
    Já li outros livros do autor e gostei muito.
    Saber que ele trouxe trechos descritivos das mortes e sem poupar o leitor do lado macabro, me deixou com vontade de conferir essa leitura dele também.
    Um feriado de alegria e moderação e desejo uma ótima semana!
    “Ninguém é assim tão velho que não acredite que poderá viver por mais um ano.” (Cícero)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA FEVEREIRO: 3 livros + vários kits, 5 ganhadores, participem!
    BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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  3. Oi Andressa!
    Quando li a sinopse de Suicidas fiquei super curiosa, como muitos elogiam a escrita do autor e sempre falam que ele surpreende o leitor, eu claro, coloquei o livro na lista de desejados. Acabei pegando um spoiler, então já sei como acaba a história, mas isso só me fez sentir mais vontade de ler.
    O autor fez um belo trabalho na forma que escreveu o livro, trazer as anotações do caderno de Alessandro é envolver mais quem está lendo em tudo o que aconteceu. Espero ler em breve.
    Beijos

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  4. Oi Andressa,
    Raphael Montes é um autor que ainda quero ter o prazer de conhecer a escrita, pois todos os seus livros tem sinopses de grande impacto e instigantes. Suicidas não é um livro só para chocar com um tema pesado, mas um livro para alertar as pessoas sobre um tema muito delicado de abordar, principalmente entre pais e filhos. Acredito que a parte mais sentimental do enredo será a narrada pelas mães. É neste ponto que o autor tem a oportunidade de suavizar a leitura e deixa-la mais sensível. O restante do livro, não consigo imaginar outra forma do Raphael abordar o tema sem ser nojento ou detalhista e isso mostra o quanto o mesmo não tem medo de expor realidades em suas tramas.

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  5. Olá! Confesso que sou uma dessas pessoas que tem estômago fraco, só a leitura da sinopse e resenha já me deixaram um pouco enjoada. O enredo é interessante e trás um tema muito forte que é o suicídio, ainda mais, em grupo, mas definitivamente não tenho coragem de iniciar e leitura.

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