domingo, 8 de outubro de 2017

[Resenha] Sempre vivemos no castelo

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Autora: Shirley Jackson
Páginas: 200
Editora: Suma
Merricat Blackwood vive com a irmã Constance e o tio Julian. Há algum tempo existiam sete membros na família Blackwood, até que uma dose fatal de arsênico colocada no pote de açúcar matou quase todos. Acusada e posteriormente inocentada pelas mortes, Constance volta para a casa da família, onde Merricat a protege da hostilidade dos habitantes da cidade. Os três vivem isolados e felizes, até que o primo Charles resolve fazer uma visita que quebra o frágil equilíbrio encontrado pelas irmãs Blackwood. Merricat é a única que pressente o iminente perigo desse distúrbio, e fará o que for necessário para proteger Constance. "Sempre vivemos no castelo" leva o leitor a um labirinto sombrio de medo e suspense, um livro perturbador e perverso, onde o isolamento e a neurose são trabalhados com maestria por Shirley Jackson.



Um livro clássico cuja leitura é obrigatória nas escolas americanas e sua autora Shirley Jackson é reconhecida como uma das principais na literatura americana, que influenciou diversos escritores contemporâneos como Stephen King e Neil Gaiman.

Estava levemente receosa em ler o livro, pois achava que seria tenebroso demais, mas descobri que o livro era mais focado em um suspense psicológico; assim, reunindo minha coragem, me joguei na leitura e fiquei surpresa por perceber a presença no que se vê muito hoje como sendo tão comum nos arcos narrativos de filmes e livros classificados como suspense ou terror.

Já nos primeiros parágrafos percebe-se como a jovem protagonista Merricat é um tanto problemática, e a sua forma de pensar nos leva a duvidar da sua versão dos fatos, que são meio nebulosos, pois quando toda a tragédia aconteceu, ela era ainda muito pequena, e por conta disso ela não desenvolveu uma maturidade equivalente a sua idade atual de 18 anos.

Sua irmã Constance, aos 28 anos de idade, é muito fechada e reclusa por conta de ter sido condenada pelo assassinato dos seus familiares, mas logo depois absolvida. Ela é o elo que faz a Merricat fazer tudo que faz, sempre pensando em proteger sua irmã mais velha das pessoas esquisitas e bisbilhoteiras do vilarejo onde moram.

O gatinho Jonas é o personagem que traz uma certa leveza para a trama, sendo o fiel escudeiro da Merricat, interagindo do jeito sempre peculiar e esquivo que só os gatos sabem fazer.

Já o tio Julian, sobrevivente do fatídico dia, sofreu algumas sequelas e vive sempre dependente da Constance, mas a irmã mais velha mostra-se uma moça muito atenciosa, doce e sempre disposta a fazer tudo para que todos fiquem aconchegados e felizes.


A casa é quase uma personagem, onde várias gerações da família Blackwood firmaram suas tradições, com seus pertences acumulados e compartilhados entre as mulheres da família; e entre suas paredes, segredos. 

Em um mundo cheio de perigos - segundo a cabeça da menina Merricat - o livro segue um ritmo de inocência, humor negro, suspense, alucinações e devaneios do pobre tio Julian, que vive no mundo da lua; e a surpreendente visita de alguém fará o ritmo e a sincronia da casa ser desfeita. 

Em poucas páginas a autora consegue te fazer torcer pelas personagens, ficar com pena, duvidar dos acontecimentos e refletir sobre a força que uma tragédia pode afetar uma pessoa; e mostra como nosso emocional é frágil, pois sem certo esforço, tudo pode desmoronar.

Conforme o decorrer da leitura, imaginei cada cena como se fosse um filme em preto e branco, e muito que acaba sendo primordial para um bom enredo de suspense hoje em dia, está presente em Sempre Vivemos no Castelo, ponto que percebe-se como um livro clássico acaba por influenciar a literatura e derivados, não importa o tempo que passe.

Recomendo fortemente, pois o jeito muito singular de montar uma história e vincular as cenas sem deixar o leitor perceber que elas estão passando, é algo que gosto muito em um livro. E mesmo que eu tenha logo no início suspeitado de alguns pontos (e acertado no final), a lógica aqui não é adivinhar, mas aproveitar uma boa história, entender os dois lados, acompanhar a reação das pessoas diante das tragédias e os absurdos que emanam disso.

14 comentários:

  1. Ainda bem que não estudei nas escolas americanas; não sou muito de ler Suspense/Terror. Apesar de que suspense é bastante convidativo, mas terror... Não dá pra mim.
    Parece uma história interessante, fiquei curiosa pra saber quem cometeu o crime. Bonita essa relação das irmãs.
    Provável que eu não leia, mas gostei de saber mais sobre este livro.

    Beijos

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  2. Dandra!
    O livro foi lançado antes de eu nascer, bacana! Nasci em 1965.
    Difícil viver de passado e se trancar em uma redoma, não permitindo que a atualidade e a realidade se façam presentes.
    O mundo pela visão de Mary parece bem ilusório e confuso, fico me perguntando se ela não tem algum distúrbio psicológico?
    Agora todo livro que traz reflexão sobre a vida, acredito que valaha a pena ler, pois podemos questionar nossos pontos de vista.
    Desejo uma ótima semana produtiva!
    “Saber quando se deve esperar é o grande segredo do sucesso.” (Xavier Maistre)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE OUTUBRO 3 livros, 3 ganhadores, participem

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  3. Bem interessante este livro ser uma leitura obrigatória nas escolas americanas, após ler sua resenha fiquei bem curiosa para ler este livro, que bom que é uma história que o leitor torce para os personagens, sem dúvidas pretendo ler Sempre Vivemos no Castelo.

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  4. Oi.
    Eu também estava receosa em relação essa leitura e assim como você, eu resolve dar uma chance e adorei de uma maneira diferente, não é o melhor livro que li do gênero, mas pude desfrutar bastante da leitura, fico feliz em saber que suas suspeitas estavam certo, enfim, sou apaixonada por essa capa.
    Bjs.

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  5. Não conhecia a autora, mas eu sou apaixonada nesse estilo de leitura.
    Achei bem legal ser uma leitura obrigatória em escolas americanas, apesar de não ser um gênero que a maioria curte.
    Bem legal quando apenas em uma trama a autora consegue despertar várias emoções.
    Adorei a dica.

    beijos
    She is a Bookaholic

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  6. Fiquei com um gostinho de quero mais lendo a resenha. ainda mais pela autora ter influência até o King.
    Confesso que eu não conhecia nada a respeito do livro, mas me pareceu ser bem misterioso.

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  7. Nossa! Adorei a resenha.
    Nunca li o livro e é legal saber que é leitura obrigatória lá nos EUA.
    Sou apaixonada por tramas desse tipo.

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  8. Ola!
    Gostei bastante do livro, já li resenha dele e me deixou super curiosa por conhecer essa história da família. A trama é envocente, bastante receosa também porque não sabemos o que aguarda da leitura mas estou super desejando em ler.

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  9. Um dos gêneros que mais gosto em livros e filmes,é o mistério e suspense.
    E esse livro me deixou bem interessada!
    Até onde vai a verdade dos fatos?
    Será que a história foi realmente a contada pelos personagens?
    Já fico aqui imaginando mil possibilidades.
    E olha que nem tenho o livro ainda! 😊

    Ótima recomendação à sua!
    Super ansiosa para ler. :)

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  10. Oi Dandra,
    Ultimamente tenho lido mais suspense psicológico, por isso,me vi muito interessada na leitura desta obra. Livros clássicos e tão recomendados como leitura obrigatória sempre me deixam preocupada sobre a narrativa e a história, pois muitas vezes este tipo de recomendação refere-se a obras de leitura mais "difícil". Famílias abaladas por uma tragédia sempre rendem um enredo interessante e envolvente de acompanhar. Cada personagem é afetado de uma maneira e tem lembranças diferentes dos fatos. Seguindo esta linha,Sempre Vivemos no Castelo é uma leitura para confundir o leitor, para o fazer duvidar e questionar todos os acontecimentos. Na certa é um livro que me agradaria e espero poder lê-lo um dia.

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  11. Olá! Tudo bem?
    É, realmente a capa é uma fofura, mas só isso mesmo. Não pensei que esse livro traria uma historia dramática assim, pensei que fosse mais um livro de amor clichê, de romance fofinho. Engano meu, fui pega pela capa!
    Fiquei curiosa pra saber mais sobre esse amor possessivo que a protagonista sente pela sua irmã e a morte da família. Adoro livros que trazem alguma reflexão e que mexe com nossas mentes.
    Adicionei na minha listinha, beijos.

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  12. Não conhecia o livro e não me lembro de ter lido alguma resenha dele.
    Não entendi bem a forma da Mary se expressar na história.
    Adoro suspense e gostei que a obra tem mistérios por trás de cada personagem. Parece que a casa é quase uma personagem por ter passado por tanta coisa.
    Obrigada pela indicação ;)
    Bjs

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  13. Oi Dandra!
    Que bom que você gostou da leitura. Eu li outras resenhas do livro, e ele já me conquistou. Li que a autora na época que escreveu o livro estava com alguns problemas, e foi dito que ela pode ter colocado seus "fantasmas" na escrita, achei isso bem interessante. A família da história parece que nunca foi feliz não é? Mesmo antes das mortes!
    Ah, o nome do livro tem a cara da história!! Já está nos desejados.
    Beijos :*

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  14. Puxa, esse livro é um clássico! Amo histórias assim. Da um pouco de medo, mas a curiosidade acaba sendo maior. Com certeza vou procurar nas livrarias. Não sei como não conhecia esse livro.

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