domingo, 4 de setembro de 2016

[Resenha] À sombra da figueira

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Autora: Vaddey Ratner
Páginas: 360
Editora: Geração Editorial
Para a menina Raami, de sete anos de idade, o fim abrupto e trágico da infância começa com os passos de seu pai voltando para casa na madrugada, trazendo detalhes da guerra civil que invadiu as ruas de Phnom Pehn, a capital do Camboja. Logo o mundo privilegiado da família real é misturado ao caos da revolução e ao êxodo forçado. Nos quatro anos seguintes, enquanto o Khmer Rouge tenta tirar da população qualquer traço de sua identidade individual, Raami se apega aos únicos vestígios de sua infância - lendas míticas e poemas contados a ela pelo seu pai. Em um clima de violência sistemática em que a lembrança é uma doença e a justificativa para execução sumária, Raami luta pela sua sobrevivência improvável. Apoiada no dom extraordinário da autora pela linguagem, À Sombra da Figueira é uma história brilhantemente intricada sobre a resiliência humana. Finalista do Prêmio PEN Hemingway este livro vai levá-lo às profundezas do desespero e mostrar horrores abomináveis. Vai revelar uma cultura maravilhosamente rica, lutando para sobreviver através de pequenos gestos. Vai fazer com que jamais sejam esquecidas as atrocidades cometidas pelo regime Khmer Rouge. Vai lhe encher de esperança e confirmar o poder que há ao se contar uma história de nos elevar e nos ajudar não somente a sobreviver, mas à transcendência do sofrimento, da crueldade e da perda.

A história de Raami, uma menina cambojana de 7 anos, com uma vida repleta de histórias, lendas, sonhos e muito carinho, acaba tendo mudanças do mundo que conhece de uma forma repentina, onde de um dia que parecia normal, no outro começa a enfrentar injustiças e situações abomináveis para qualquer pessoa, imagina para uma criança que ainda enfrenta o desafio diário para andar, pois possui poliomelite.

A autora Vaddey Ratner vivenciou o que sua personagem vive neste livro, pois aos 5 anos de idade o Khmer Vermelho invadiu o Camboja em 1975, no ano do fim da Guerra do Vietnã, com o lema disfarçado de democracia para uma Camboja livre, caçando intelectuais, pessoas ligadas a família real, professores, qualquer pessoa que ousasse pensar diferente e com o passar do tempo os motivos para perseguição foram ficando cada vez mais absurdos: demonstrar afeto, memórias, ter e possuir coisas. Os revolucionários buscavam uma comunidade leal que viveria unida e que compartilharia tudo em torno do que acreditava ser o melhor para todos, trabalhando em prol de um ideal que traria segundo eles, um Camboja próspero e justo, mas essa comunidade nem vivia direito, foram arrancados de seus lares, levados para os campos e trabalhavam tanto nas plantações, com sol a pino e praticamente só comiam uma tigela de arroz e água por dia, definhando com o passar do tempo.

Através da ficção e de uma narrativa forte sobre o terror de uma revolução totalmente sem lógica e do ponto de vista de uma criança que tenta entender através do que conhece do mundo, a autora traçou uma realidade tão absurda, mas com uma poesia nas palavras, nos fazendo flutuar conforme Raami recorria a esses voos para fugir da sua realidade. 

"Desejei que houvesse árvores ali, algum tipo de sombra. Finja que está cavalgando nas costas do dragão Yiak, disse a mim mesma."

A autora faz uso de termos na sua língua natal e utiliza parágrafos separados em um espaçamento maior dentro dos capítulos, como forma de dar aos leitores uma folga para respirar a cada ar pesado das páginas. 

Mesmo nos espantando com horrores da Segunda Guerra, o terror no Camboja em 1975 não foi tão longe e tão diferente, com quase 2 milhões de pessoas mortas, além de outras revoluções culturais que aconteceram antes com repressões e totalitarismo, e que continua a se repetir hoje em dia, em guerras, lutas e ideologias totalmente desfocadas. Vivemos em um ciclo e o ser humano desde todas as atrocidades do tempo, continua sendo tão ilógico como sempre foi, mas ainda, acima de tudo, continua a existir a esperança e o amor que transcende e cresce dentro daqueles que conseguem fazer sobressair a luz que cada pessoa tem, com uma capacidade incrível de adaptação. Por isso devemos ficar atentos a todos os lados de uma história, a nos questionar sempre, pois "Conhecer vem de aprender; encontrar vem de procurar."

8 comentários:

  1. Oiii Dandra, como vai?
    Confesso que você realmente me surpreendeu, não sabia que essa obra tinha tanta coisa em ensinar, e com isso adoraria ter a oportunidade de realizar a leitura e dica super anotada.
    Beijinhos

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  2. Olá,
    Desconhecia a obra, mas ela parece ter um peso imenso de emoções a transmitir.
    Fiquei bastante comovida pelo fato de a obra ser quase uma biografia e que ela passou por todos esses acontecimentos da guerra.
    Dica anotada e pretendo ler assim que possível.

    http://leitoradescontrolada.blogspot.com.br/

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  3. Olá, Dandra! Achei o tema do livro riquíssimo e a sua resenha também! Aliás, o blog é todo lindo! Parabéns pela dedicação da equipe!

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  4. Nossa, esse livro parece ser incrível! A leitura deve ter sido emocionante, além da história super densa, saber que praticamente é uma biografia da autora e que ela viveu cada sofrimento relatado, deve deixar o leitor com o coração apertadinho.
    Parabéns pela resenha!
    Beijos

    http://capsuladebanca.blogspot.com.br/

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  5. Oiee Dandra ^^
    Eu ainda não li esse livro, mas quero muito conhecer a história da Raami, pois vi muita coisa boa a respeito deste livro. É difícil encontrar algo de bom na guerra, né? E quando a gente encontra, parece que é um raio de luz no meio a tanta escuridão. Imagino que o livro traga muitos sentimentos ao leitor, é o meu tipo de livro.
    MilkMilks ♥

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  6. Olá Dandra!
    Eu já ouvi falar a respeito desse livro, mas ainda não havia lido nada a respeito dele, mas eu já o tinha colocado na minha lista de leitura.
    Achei a premissa realmente interessante, mas no momento estou evitando livros que falam sobre a guerra, e esse é ainda mais complicado de ler por ser narrado por uma criança. Vou deixar a leitura para um outro momento.
    Beijos.

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  7. Oi Dandra!

    Eu já tinha visto esse livro em algum lugar, mas não fazia ideia do que se tratava. Ai, esses livros que tratam de guerras e revoluções sob o ponto de vista de crianças acabam com a gente de uma forma... Eu não sou muito conhecedora de História, mas já fazia uma breve ideia do terror na Camboja... Só que é sempre diferente quando a gente lê algo que mexe com a gente...

    Beijo!
    http://www.roendolivros.com.br/

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  8. Oi Dandra!
    já tinha visto esse livro por aí mas não sabia que se tratava de uma história tão forte! Gosto muito de histórias sobre guerras independente de ondem sejam porque é uma aula pra gente que não ta acostumado a ligar pra esses países e nos faz refletir para onde se encaminha a humanidade...
    Gostei muito da sua resenha e quero muito ler esse livro.

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